O perfil de investimentos no Brasil para startups

Esse post foi feito por Roberto Fermino sobre sua visão do perfil de startups que têm recebido investimentos no país e também falando qual é o melhor momento para se receber um investimento; os benefícios de se receber e de não.

Aqui vai:

Investimento não pode ser um fim em si, mas um meio para alcançar objetivos em conjunto (startup + invetidores)”.

Primeiramente, o recebimento de um investimento deve fazer parte da estratégia dos empreendedores para gerir o crescimento da startup de maneira sustentável e acelerada. Aceitar investimentos de maior risco em troca de uma % maior da empresa, também é algo a se considerar. Porém, outras variáveis podem vir a tona, como por exemplo o segmento que se pretende atingir, o timing de mercado e a janela de oportunidade.

Quebrando em categorias, vejamos o cenário no Brasil para investimentos em:

1 – E-commerce

O que vemos majoritariamente acontecendo são empresas formadas por pessoas com MBAs das TOPs universidades. Estes pegam muito capital antes mesmo de começar a operação. Também há empresas de lojas “brick and mortar” que conseguiram bancar a operação online até ganhar escala e deixar de ser uma lojinha dentro do mercado livre. Em ambos os casos, o investimento chega numa boa hora porque o business é de capital intensivo ( estoque, capital de giro etc).

2 – Startups de pequeno faturamento

*até 500 mil de faturamento por ano e até 5 anos de mercado

Nestes casos o faturamento vem principalmente de serviços de consultoria B2B e eles deixam um produto como pet project que cativam na esperança que magicamente dê certo. Empreendedores não conseguem se dedicar fulltime ao projeto, pois dependem dos outros serviços para se manterem. Acho extremamente válido um investimento neste caso, pois montar um time coeso, mesmo pequeno, gasta-se muita energia e leva-se um tempão pro entrosamento. O grande “Porém” destes casos é que estes empreendedores não vêm das TOPs, estão fora do radar dos VCs, são caras que construíram suas empresas com suor e sangue, não têm relacionamentos fortes. E não têm o mindset da escala que um VC precisa pra multiplicar o capital like crazy, estes empreendedores são muito sentimentais, ligados umbilicalmente ao negócio e quase sempre acham que um “externo” está xeretando o negócio e está dando palpite onde não deve.

3 – Startups com faturamento maior que 500 mil

Empresas que faturam mais de 500K estão sendo avaliadas por fluxo de caixa descontado tradicional e investidores não estão pagando prêmio algum, há um descompasso em relação a expectativa do upside. Conheço uma empresa de games com uma equipe muito boa que estava sendo avaliada por um VC durante muitos meses e este não chegava a nenhuma conclusão, neste meio tempo a empresa estorou e fecharam com outro deal numa condição 10x melhor. Games é uma exceção mesmo dentro do digital porque o ciclo é ainda mais rápido, mas para outros segmentos é muito normal VCs ficarem cozinhando os empreendedores por meses a fio. Há um despreparo por parte de muitos VCs também, por serem muitos generalistas eles acabam tendo um comportamento do tipo “esperar a empresa cair no colo deles” pra depois analisar. Se fossem mais diretos, com os mercados específicos que pretendem atingir, faixa de investimento pretendida etc. Fariam um estudo bem mais completo dos macro cenários e poderiam avaliar bem mais rápido os investimentos, não fazendo o empreendedor de bobo.

4 – Startups vindo de fora

Há uma proliferação de “multinacionais” digitais crescendo assustadoramente no nosso nariz, são de dois tipos, as que fazem a operação, inclusive tecnologica, no Brasil e exportam os recursos. E aquelas que só têm o braço comercial, pior dos casos. Há as exceções, como gringos que vêm pro brasil pra efetivamente empreender e se estabelecer por aqui, deixando o recurso no nosso solo e reinvestindo ele. Se vc é um empreendedor tupiniquim e se vê lidando com os gringos do primeiro grupo, que são polvos gigantes com seus tentáculos no Brasil, vai precisar de grana.

5 –  Janela de oportunidade

Em períodos de incerteza vc tem que estar bem preparado, e estar capitalizado neste caso é uma ótima opção. Entrevistando empreendedores vi que em muitos casos os caras pegaram um bolada imediatamente antes da bolha que era pra durar 6 meses e quando a bolha estorou souberam reduzir custos extras previstos e fizeram o dinheiro render por anos. É o caso do Buscapé, por exemplo.

E há diversas outras situações.

Ficaria muito feliz se empreendedores mais experientes pudessem cavar mais fundo neste assunto. Na empresa que estou tocando estamos justamente neste momento estratégico e creio que muitos outros aqui estão diante dessa decisão também.

Obrigado

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